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XXIV Bienal de Cerveira 2026: A Grande Homenagem a Silvestre Pestana

Silvestre Pestana, nascido no Funchal em 1949, destaca-se como uma das figuras mais radicais, inquietas e vanguardistas da arte contemporânea portuguesa. Ao longo de mais de cinco décadas de atividade artística ininterrupta, o criador madeirense tem desenvolvido um percurso absolutamente singular e de contraciclo. A sua obra recusa liminarmente a mercantilização da cultura e foca-se, em exclusivo, na pura experimentação conceptual, estética e social.
Pioneiro indiscutível em Portugal, Pestana começou a afirmar-se nos finais dos anos 1960 através da poesia visual e da performance. Contudo, foi a sua capacidade invulgar de antecipar o futuro digital que consolidou o seu estatuto de referência. Estudou televisão e música eletrónica na prestigiada Universidade de Estocolmo. Essa formação impulsionou-o a introduzir, de forma pioneira na década de 1980, o vídeo, a informática e os sistemas de computação na criação artística nacional. O seu trabalho assenta num hibridismo permanente entre o homem e a máquina, o real e o virtual, e os signos linguísticos e visuais.
O percurso de Silvestre Pestana está também intimamente ligado à própria história da Bienal Internacional de Arte de Cerveira. O artista cumpre o feito raro de ter participado em vinte edições do evento. Em 1980, na segunda edição da bienal, marcou a memória coletiva com a sua icónica performance intitulada "Fio Novo". Anos mais tarde, em 2005, inaugurou a inovadora "Galeria Pública para Artes Digitais" através do universo virtual Second Life, expandindo as fronteiras físicas da "Vila das Artes" para a esfera digital global.
A sua relevância foi amplamente reconhecida a nível institucional, destacando-se a grande exposição retrospetiva individual "Tecnoforma", organizada em 2016 pelo prestigiado Museu de Arte Contemporânea de Serralves no Porto. A sua arte contemporânea funciona simultaneamente como um ato de anúncio e de denúncia política, abordando criticamente temas prementes como a vigilância estatal, a ecologia, a desumanização tecnológica e os problemas sociais da atualidade.
Homenageado central na XXIV Bienal de Cerveira em 2026, Silvestre Pestana personifica na perfeição o mote "Territórios sem Fronteira". O artista recusa fechar-se nas memórias do passado e mantém uma mente viva, focada no presente e nas novas tecnologias. Continua a afirmar-se como um criador essencial para compreender as infinitas mutações da arte contemporânea europeia.
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XXIV Bienal Internacional de Arte Cerveira: Onde a Arte não tem fronteiras

A XXIV Bienal Internacional de Arte de Cerveira (BIAC) afirma-se, em 2026, como o grande epicentro da criação contemporânea na Península Ibérica. Sob o lema inspirador "Territórios sem Fronteira", o prestigiado evento decorre entre os dias 18 de julho e 30 de dezembro de 2026. Transforma por completo a pitoresca Vila Nova de Cerveira num autêntico laboratório vivo onde a arte dialoga de forma direta com as dinâmicas geográficas, sociais e políticas da atualidade. Sob a direção artística rigorosa de Mafalda Santos, esta edição convida criadores consagrados, novos talentos e o público em geral a refletir ativamente sobre os limites físicos, mentais e digitais que moldam o nosso mundo moderno. A bienal celebra orgulhosamente quarenta e oito anos de existência cultural, mantendo-se profundamente fiel à sua matriz original de vanguarda, descentralização e experimentação livre. Um dos maiores destaques da vasta programação deste ano centra-se na justa homenagem ao prestigiado artista contemporâneo português Silvestre Pestana. O seu percurso pioneiro nos domínios da performance, da poesia visual e da arte tecnológica serve de fio condutor para uma curadoria rica. O evento foca-se essencialmente em linguagens multidisciplinares complexas, apresentando um pilar sólido assente em instalações imersivas, vídeo, práticas espaciais e processos digitais profundamente inovadores.

Silvestre Pestana 2026 Frize

Silvestre Pestana | Colapso 2026 by Frieze

Se alguém entende o poder da iluminação na psique humana, esse alguém é Silvestre Pestana. O artista português começou a incorporar luzes de néon nas suas performances, esculturas e instalações em meados da década de 1980, em parte inspirado pela constatação de que “sociedades intensamente urbanas também são sociedades intensamente eletrificadas”, como declarou ao curador João Ribas no catálogo da sua exposição de 2016 no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto. “Collapse”, a sua atual exposição individual na Galeria Municipal do Porto, expande essa ideia por meio de uma nova instalação homónima para o estreito espaço do segundo andar do museu, reimaginando a sala como uma paisagem urbana de painéis de LED exibindo substantivos e adjetivos aparentemente aleatórios.  by Chloe Stead - Frieze 

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