POLÉN 2:0 Projecto Artístico por Silvestre Pestana
A convite da Umbigo, e a propósito da exposição que lhe será dedicada na XXIV Bienal Internacional de Arte de Cerveira, Silvestre Pestana apresenta o projecto POLÉN2:0, que integra a secção Pós-Digital do mês de julho. Natural do Funchal, Silvestre Pestana (1949-) é poeta, artista plástico e performer. Licenciado em Artes Gráficas e Design pela ESBAP, mestre em Ensino de Arte e Design pela De Montford University, destacou-se desde os anos 1960, pelo pioneirismo no uso de vídeo, instalação e poesia experimental, explorando o cruzamento entre arte, corpo e tecnologia. Regressado a Portugal em 1974 depois de vários anos em exílio político na Suécia, desenvolveu uma gramática visual única que enquadra o corpo humano como parte de um circuito social, ideológico e tecnológico. As ações politizadas, colagens e fotografias dos anos 1970 e 1980 usam o seu corpo para ativar códigos linguísticos e não-linguísticos, tornando a poesia uma prática espacial e coreográfica. Embora com uma vasta carreira, a sua primeira grande exposição antológica decorreu em 2016 no Museu de Arte Contemporânea de Serralves.
Entrevista a Silvestre Pestana, autor da capa da Umbigo.space
Mafalda Teixeira: A introdução do novo caracteriza a sua prática artística, nomeadamente em trabalhos recentes com recurso a tecnologias como drones ou à criação digital, com referência à IA.
PÓLEN 2:0 insere-se na produção da obra de realidade aumentada PÓLEN R. A. (2024), que integra a Galeria Digital do Porto. Foi a primeira vez que recorreu a esta nova tecnologia no seu corpo de trabalho?
Silvestre Pestana: A minha introdução ao NOVO resulta de uma pulsão intensamente interior e inquietante, derivada da necessidade de encontrar sentido enquanto artista e cidadão. Desde muito cedo, ao estudar as dinâmicas relacionadas com a saúde do planeta Terra, compreendi que este se encontra constrangido por um predadorismo aclamado, intenso e voraz, exercido através da captura acelerada dos seus recursos. Acompanhei, assim, o acelerado FAZER social, com as suas promessas e controvérsias em torno da questão estrutural da redistribuição da riqueza acumulada, resultante do magnífico esforço tecno-produtivista gerador de EXCESSO…
"Luso Lunar": Uma Viagem com Silvestre Pestana
A Fundação Bienal de Arte de Cerveira acolhe, entre 18 de julho e 30 de dezembro de 2026, a exposição antológica “Luso Lunar”, dedicada à obra do artista plástico e poeta experimental português Silvestre Pestana. Com curadoria assinada por Mafalda Santos e João Ribas, esta mostra de grande escala constitui um dos eixos centrais da XXIV Bienal de Cerveira, celebrando mais de cinco décadas de uma das carreiras mais inovadoras da arte contemporânea em Portugal.
O título da exposição evoca os icónicos “Luso Padrões” de Pestana, sugerindo um diálogo aberto entre a identidade territorial (“Luso”) e a exploração de novas fronteiras e dimensões cósmicas (“Lunar”). A seleção de obras traça um percurso exaustivo que vai desde o início da década de 1970 até às suas criações mais recentes, revelando a constante inquietação de um criador que sempre recusou fronteiras disciplinares. Inserida no programa da XXIV Bienal, a exposição “Luso Lunar” não é apenas uma retrospetiva, mas sim um espaço vivo de reflexão sobre os limites da arte. O evento reforça o papel de Vila Nova de Cerveira como a prestigiada “Vila das Artes”, oferecendo ao público uma oportunidade imperdível para compreender o impacto de Silvestre Pestana na vanguarda artística nacional e internacional.
Horário de Funcionamento
Consulte os horários oficiais disponibilizados na página de Horário e bilheteira da Bienal de Cerveira.
Celeste Cerqueira
Edição expandida de “Celeste Cerqueira: e_i_migração”, com edição de Paula Parente Pinto, design de Ana Clara Luz, tradução de Rui Matos, impressão em risografia de Arco Ignis, o apoio incondicional do CAAA (Guimarães), a cumplicidade do Silvestre Pestana e a imensidão da Celeste Cerqueira. Obrigada a tod@s!
E_I_MIGRAÇÃO apresenta uma seleção de referência às barreiras fronteiriças erguidas para conter a entrada de fluxos migratórios na Europa, tendo, literalmente, por pano de fundo, suportes têxteis que, de símbolos da fragilidade e último reduto do conforto, vestimenta humana e revestimento doméstico, se transformam em imagens dos materiais de violência, das paisagens de exclusão. A obra de Celeste Cerqueira relaciona recorrentemente suportes materiais das políticas de vigilância (como câmaras de filmar, barreiras policiais, fitas de advertência, redes metálicas), com notícias da imprensa diária sobre a política internacional, tornando visíveis as cadeias operacionais recursivas das técnicas culturais, que provocam mudanças sociais e invertem noções básicas de transparência e atravessamento em opacidade e intransponibilidade, de proteção e convivialidade, em medo e violência. Relacionando media, cultura e tecnologia, o seu trabalho aborda as designadas “materialidades da comunicação”, denunciando os aparatos de produção de sentido e os sistemas burocráticos que produzem os indivíduos que depois processam. (DGArtes)
Silvestre Pestana em Destaque: A Grande Homenagem na XXIV Bienal de Cerveira 2026
Silvestre Pestana, nascido no Funchal em 1949, destaca-se como uma das figuras mais radicais, inquietas e vanguardistas da arte contemporânea portuguesa. Ao longo de mais de cinco décadas de atividade artística ininterrupta, o criador madeirense tem desenvolvido um percurso absolutamente singular e de contraciclo. A sua obra recusa liminarmente a mercantilização da cultura e foca-se, em exclusivo, na pura experimentação conceptual, estética e social.
Pioneiro indiscutível em Portugal, Pestana começou a afirmar-se nos finais dos anos 1960 através da poesia visual e da performance. Contudo, foi a sua capacidade invulgar de antecipar o futuro digital que consolidou o seu estatuto de referência. Estudou televisão e música eletrónica na prestigiada Universidade de Estocolmo. Essa formação impulsionou-o a introduzir, de forma pioneira na década de 1980, o vídeo, a informática e os sistemas de computação na criação artística nacional. O seu trabalho assenta num hibridismo permanente entre o homem e a máquina, o real e o virtual, e os signos linguísticos e visuais.
O percurso de Silvestre Pestana está também intimamente ligado à própria história da Bienal Internacional de Arte de Cerveira. O artista cumpre o feito raro de ter participado em vinte edições do evento. Em 1980, na segunda edição da bienal, marcou a memória coletiva com a sua icónica performance intitulada “Fio Novo”. Anos mais tarde, em 2005, inaugurou a inovadora “Galeria Pública para Artes Digitais” através do universo virtual Second Life, expandindo as fronteiras físicas da “Vila das Artes” para a esfera digital global.
A sua relevância foi amplamente reconhecida a nível institucional, destacando-se a grande exposição retrospetiva individual “Tecnoforma”, organizada em 2016 pelo prestigiado Museu de Arte Contemporânea de Serralves no Porto. A sua arte contemporânea funciona simultaneamente como um ato de anúncio e de denúncia política, abordando criticamente temas prementes como a vigilância estatal, a ecologia, a desumanização tecnológica e os problemas sociais da atualidade.
Homenageado central na XXIV Bienal de Cerveira em 2026, Silvestre Pestana personifica na perfeição o mote “Territórios sem Fronteira”. O artista recusa fechar-se nas memórias do passado e mantém uma mente viva, focada no presente e nas novas tecnologias. Continua a afirmar-se como um criador essencial para compreender as infinitas mutações da arte contemporânea europeia.
XXIV Bienal Internacional de Arte Cerveira: Onde a Arte não tem fronteiras
A XXIV Bienal Internacional de Arte de Cerveira (BIAC) afirma-se, em 2026, como o grande epicentro da criação contemporânea na Península Ibérica. Sob o lema inspirador “Territórios sem Fronteira”, o prestigiado evento decorre entre os dias 18 de julho e 30 de dezembro de 2026. Transforma por completo a pitoresca Vila Nova de Cerveira num autêntico laboratório vivo onde a arte dialoga de forma direta com as dinâmicas geográficas, sociais e políticas da atualidade. Sob a direção artística rigorosa de Mafalda Santos, esta edição convida criadores consagrados, novos talentos e o público em geral a refletir ativamente sobre os limites físicos, mentais e digitais que moldam o nosso mundo moderno. A bienal celebra orgulhosamente quarenta e oito anos de existência cultural, mantendo-se profundamente fiel à sua matriz original de vanguarda, descentralização e experimentação livre. Um dos maiores destaques da vasta programação deste ano centra-se na justa homenagem ao prestigiado artista contemporâneo português Silvestre Pestana. O seu percurso pioneiro nos domínios da performance, da poesia visual e da arte tecnológica serve de fio condutor para uma curadoria rica. O evento foca-se essencialmente em linguagens multidisciplinares complexas, apresentando um pilar sólido assente em instalações imersivas, vídeo, práticas espaciais e processos digitais profundamente inovadores.
Silvestre Pestana | Colapso 2026 by Frieze
Se alguém entende o poder da iluminação na psique humana, esse alguém é Silvestre Pestana. O artista português começou a incorporar luzes de néon nas suas performances, esculturas e instalações em meados da década de 1980, em parte inspirado pela constatação de que “sociedades intensamente urbanas também são sociedades intensamente eletrificadas”, como declarou ao curador João Ribas no catálogo da sua exposição de 2016 no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto. “Collapse”, a sua atual exposição individual na Galeria Municipal do Porto, expande essa ideia por meio de uma nova instalação homónima para o estreito espaço do segundo andar do museu, reimaginando a sala como uma paisagem urbana de painéis de LED exibindo substantivos e adjetivos aparentemente aleatórios. by Chloe Stead – Frieze
A Arte e a Vida Cruzaram-se na VI Bienal Jorge Lima Barreto!
Nos dias 26 e 27 de junho de 2026, o Centro Cultural Solar dos Condes de Vinhais transformou-se no epicentro da criatividade contemporânea. Sob o lema “Arte é Vida e Vida é Arte”, a VI Bienal Jorge Lima Barreto homenageou o legado do icónico compositor e ensaísta local. O evento fundiu música, poesia, performances e conferências num programa memorável. Entre debates profundos e oficinas interativas, o grande destaque foi a música, culminando com o concerto de encerramento dos aclamados Expresso Transatlântico. Foi uma celebração vibrante que provou que a vanguarda continua bem viva no coração de Trás-os-Montes.